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Open banking: novas formas de monetizar dados financeiros

Ponto de vista30 de out. de 2025

Por Matt Colebourne, diretor-geral da Qwist

Com o lançamento da segunda Diretiva de Serviços de Pagamento (PSD2), o open banking remodelou o cenário financeiro europeu. O que começou como uma regulação para estimular a concorrência e proteger os consumidores rapidamente se tornou um motor global de inovação. Bancos, fintechs e empresas agora usam o acesso a dados financeiros de forma mais estratégica, seja para simplificar processos, criar novos produtos ou construir modelos de negócio totalmente novos.

A PSD2 como ponto de partida

A PSD2 marcou o início de uma nova era na União Europeia. Pela primeira vez, os bancos tiveram de dar a provedores terceiros acesso padronizado às informações de contas, mas somente se os clientes concordassem. Essa ideia de “Access to Account” (XS2A) lançou as bases de muitas aplicações orientadas por dados e abriu as portas para novas cadeias de valor.

Fora da UE, também surgiram iniciativas de open banking, às vezes impulsionadas por regulação, às vezes pelo mercado, mas sempre influenciadas pela PSD2. Na Suíça, por exemplo, modelos baseados no mercado mostram como padrões voluntários e projetos do setor podem gerar confiança e inovação.

Seja qual for a abordagem, regulatória ou orientada pelo mercado, o princípio central do open banking é claro: o acesso seguro e padronizado a dados financeiros gera confiança e cria a base para a inovação.

De matéria-prima a recurso: os dados financeiros impulsionando a digitalização

Os dados financeiros são cada vez mais vistos como um recurso essencial para a economia digital. Com a padronização introduzida pela PSD2, esses dados agora podem ser usados em escala pela primeira vez.

Isso tem grandes efeitos: as empresas podem processar informações em tempo real, tomar decisões mais inteligentes com base em dados e adaptar seus serviços diretamente às necessidades dos clientes.

O open banking atua como catalisador nesse processo. Ele não só aumenta a eficiência do banco tradicional, como também abre as portas para o Open Finance, o próximo passo, em que áreas como investimentos, seguros e gestão de patrimônio são reunidas de forma orientada por dados.

Novos modelos de monetização: dados com valor

A regulação também criou um arcabouço econômico para o uso de dados financeiros. Quem usa os dados precisa pagar por eles, um princípio que, pela primeira vez, estabelece regras claras e recompensa a inovação. Em torno da análise e da avaliação de dados e de serviços personalizados, surgem novos modelos de negócio.

Um exemplo rápido: a análise automatizada de transações de contas permite uma avaliação de risco precisa e ajuda os prestadores de serviços financeiros a adaptar suas ofertas, seja em crédito, seguros ou planejamento patrimonial.

Casos de uso concretos: onde o open banking funciona hoje

Avaliação de crédito e de risco

O uso de dados de contas em tempo real está transformando as consultas de crédito. Em vez de depender de modelos de scoring antigos que usam dados desatualizados ou limitados, bancos e fintechs agora podem acessar perfis atualizados de liquidez e gastos. Isso permite avaliações mais rápidas e precisas, tanto de consumidores quanto de pequenas empresas, abrindo o acesso a serviços financeiros para grupos de clientes que antes eram mal atendidos.

Planejamento financeiro e experiência do cliente

O open banking permite criar ofertas personalizadas de forma dinâmica. Os clientes recebem recomendações baseadas no seu comportamento financeiro real, por exemplo, de empréstimos, planos de poupança ou produtos de seguro. Ao mesmo tempo, esses insights ajudam a fortalecer a fidelidade do cliente: quando as pessoas recebem soluções que refletem de fato a sua situação, sentem-se compreendidas e têm mais chance de permanecer com seu provedor.

Prevenção a fraudes e compliance

Ao analisar padrões de transações, atividades incomuns podem ser detectadas cedo. Por isso, as ferramentas de open banking ajudam a atender com eficácia aos requisitos regulatórios, de prevenção à lavagem de dinheiro (AML) a relatórios ESG e à verificação padrão de renda.

A mesma abordagem também melhora as verificações de identidade: por meio das interfaces de open banking, é possível confirmar instantaneamente se o IBAN de um cliente corresponde ao nome informado. Isso reduz o risco de fraude e elimina a necessidade de longas verificações manuais. O resultado é um onboarding mais rápido e fluido, que combina segurança regulatória com facilidade de uso, aumentando a satisfação e a fidelidade dos clientes.

Apoio às empresas

As pequenas e médias empresas se beneficiam especialmente da análise financeira automatizada. Tarefas como planejamento de liquidez, gestão de fluxo de caixa e acesso a financiamento ficam mais fáceis graças ao acesso transparente aos dados.

Embedded finance e novos ecossistemas

Ao integrar dados financeiros a ecossistemas não bancários, surgem novos modelos de negócio no espaço B2B2X. Seja em e-commerce, mobilidade ou setores baseados em plataformas, os serviços financeiros agora podem ser oferecidos exatamente onde são necessários, de forma fluida e contextual.

Um exemplo de embedded finance em ação está no setor automotivo. Marketplaces como a AutoScout24 (parceira da Qwist) permitem que os usuários acessem ofertas de financiamento de bancos parceiros diretamente na plataforma, sem papelada, em um processo totalmente digital. Ao aproveitar dados de open banking e APIs padronizadas, os serviços financeiros são entregues onde agregam mais valor, no momento da necessidade, criando uma experiência do cliente mais fluida e orientada por dados.

Qualidade dos dados, interpretação e o fator humano

Acesso a dados, por si só, não basta. O que realmente importa é como os dados são interpretados e usados. Ferramentas e plataformas que não apenas agregam informações, mas também as tornam fáceis de entender, são essenciais. As equipes de risco, crédito e compliance não precisam de dados brutos, e sim de insights claros para a tomada de decisão. Qualidade dos dados, categorização e contexto são fatores-chave para decisões consistentes.

Olhando adiante: o Open Finance na próxima fase

Com a futura PSD3, a regulação da UE sobre pagamentos instantâneos e as iniciativas ligadas ao Regulamento da Economia de Dados, o campo de atuação continuará se ampliando. O Open Finance abrangerá cada vez mais áreas além do banco tradicional, como investimentos, seguros e produtos de previdência. O objetivo continua claro: mais transparência, serviços mais personalizados e um sistema financeiro mais justo e acessível.

A próxima fase do Open Finance intensifica tanto a promessa quanto o desafio: os agentes financeiros precisam se destacar na incorporação de serviços fluidos e orientados por dados em todos os aspectos da vida financeira dos clientes, mantendo vigilância constante sobre segurança, confiança e compliance. O escopo cada vez mais amplo, de pagamentos a patrimônio e seguros, traz oportunidades vitais de inclusão, alcançando populações e mercados antes mal atendidos. Para quem está na vanguarda, a gestão responsável dos dados e a comunicação transparente com o cliente serão decisivas, não só para construir confiança, mas também para se destacar em um cenário cada vez mais competitivo e regulado.

O open banking deixou de ser um impulso regulatório e se tornou um verdadeiro motor de inovação. As oportunidades para aplicações orientadas por dados crescem de forma constante, assim como as exigências sobre tecnologia, análise e uso responsável de dados. Quem investir cedo em processos orientados por dados terá vantagens competitivas duradouras, não só no setor bancário, mas em qualquer setor em que os dados financeiros possam fazer diferença.

Perguntas frequentes

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