Perspectivas 4 minutos de leitura
Em destaque na América Latina: as 50 principais empresas brasileiras de fintech inovadoras a serem observadas
O setor de fintech do Brasil cresceu rapidamente, tornando-se o maior e mais dinâmico ecossistema da América Latina, conquistando reputação de inovação no cenário global.
Através do nosso trabalho com muitas das empresas que estão impulsionando essa transformação, obtivemos insights valiosos sobre os produtos e estratégias inovadores que estão moldando o setor. Neste artigo, analisamos os fatores por trás da ascensão do Brasil e destacamos as 50 principais empresas disruptivas que estão redefinindo os serviços financeiros na região.
Apresentamos: o próspero ecossistema de fintech do Brasil
O Brasil concentra 58,7% de todas as fintechs da América Latina, consolidando sua posição de líder regional. Com uma população de mais de 200 milhões de habitantes e um histórico de ineficiências sistêmicas, o país tornou-se um centro de inovação, impulsionado por uma combinação de ambição empreendedora e regulamentação voltada para o futuro.
Fundamental para esse crescimento é a abordagem proativa do Banco Central do Brasil. Ao contrário de regiões onde a regulamentação muitas vezes impede o progresso, a Agenda BC+ do Brasil tem incentivado ativamente a inovação. Concebida para combater ineficiências, reduzir os custos de crédito e estimular a concorrência, a iniciativa lançou as bases para o florescimento de novos modelos de negócios de fintech.
O ecossistema de fintech do Brasil está em constante evolução, à medida que gigantes do setor B2C, como o Nubank e a Creditas, abriram caminho para uma nova onda de participantes do setor B2B, que agora representam 47,3% do setor. O surgimento de provedores de infraestrutura especializados, como o Banking-as-a-Service (BaaS), tem desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento de produtos eficientes e escaláveis por parte desses novos participantes.
Uma análise mais aprofundada da trajetória regulatória do Banco Central do Brasil
Historicamente, cerca de cinco bancos detinham o controle de mais de 80% dos ativos do setor bancário comercial brasileiro. Essa forte concentração resultou em tarifas bancárias excepcionalmente altas, acesso limitado a serviços financeiros para muitos brasileiros e taxas de juros que chegavam a 37,5%.
Reconhecendo a necessidade de mudanças, o Banco Central do Brasil deu início a uma série de reformas a partir de 2010:
- Abertura do mercado de aquisição (2010):
Essa reforma pôs fim ao duopólio no setor de pagamentos e abriu oportunidades para que as fintechs revolucionassem os modelos tradicionais. - Regulamentação das instituições de pagamento (2013):
Essa mudança permitiu que entidades não bancárias prestassem serviços de pagamento, a fim de promover a concorrência e a acessibilidade. - Apresentação da legislação sobre contas digitais (2016):
Nesse contexto, foi possibilitada a abertura totalmente digital de contas, com o objetivo de reduzir custos e ampliar o acesso a serviços bancários para populações carentes. - Permitindo que as fintechs ofereçam crédito (2018):
As empresas de fintech passaram a ter permissão para conceder crédito diretamente a consumidores e empresas, democratizando o crédito e reduzindo custos. - Apresentação da pontuação de crédito positiva (2019):
A pontuação de crédito positiva foi introduzida para ampliar o acesso ao crédito, especialmente para segmentos historicamente carentes. - Aumento da titularidade dos registros de contas a receber (2019):
Os comerciantes passaram a ter a titularidade de suas contas a receber para abrir novas oportunidades de crédito e aumentar a concorrência.
Essas reformas acabaram por abrir caminho para a Agenda BC# em 2019, um marco destinado a impulsionar a inclusão financeira, estimular a concorrência, aumentar a transparência e promover a educação financeira — todos pilares fundamentais para impulsionar a inovação em fintech.
A Agenda BC#: PIX e Open Finance como catalisadores da mudança
A Agenda BC# introduziu muitas mudanças no sistema financeiro brasileiro, mas duas inovações fundamentais se destacam como a base do ecossistema financeiro moderno do país: o PIX e o Open Finance.
PIX: Transformando os pagamentos
Lançado em 2020, o PIX é um sistema de pagamentos instantâneos inovador desenvolvido pelo Banco Central do Brasil. Ele permite que os usuários realizem pagamentos em tempo real 24 horas por dia, 7 dias por semana, tornando-o mais rápido, simples e acessível do que os métodos tradicionais. Para pessoas físicas, oferece transferências gratuitas entre consumidores, enquanto as empresas se beneficiam de transações de baixo custo, tornando-o o método de pagamento preferido de milhões de brasileiros.
De acordo com o Banco Central do Brasil, em 5 de abril de 2024, o PIX bateu um novo recorde, processando 201,6 milhões de transações em um único dia e movimentando 105 bilhões de reais. Para se ter uma ideia, com uma população adulta de 162,9 milhões de pessoas, o enorme volume de transações destaca o quanto o PIX se tornou parte integrante do dia a dia no Brasil.
Olhando para o futuro, o PIX continua a evoluir com recursos como:
- Pagamentos sem contato (fevereiro de 2025): Possibilidade de efetuar pagamentos simplesmente aproximando um celular autenticado, de forma semelhante ao Apple Pay ou ao Google Pay.
- Pagamentos automáticos (junho de 2025): Facilitação de pagamentos recorrentes, como contas de serviços públicos, sem a necessidade de acordos com bancos específicos.
- Pagamentos parcelados (Futuro): Um recurso que irá competir diretamente com os cartões de crédito, permitindo que os consumidores parcelem os pagamentos ao longo do tempo.
Facilitando o acesso ao crédito para pequenas empresas por meio de transferências PIX
A PIX tem ajudado empresas como Zippi, um cliente da Taktile, a revolucionar a forma como as soluções de capital de giro são oferecidas aos microempreendedores. Aproveitando as transferências PIX sem interrupções, a Zippi possibilita desembolsos de crédito rápidos, seguros e econômicos, eliminando barreiras tradicionais, como altas taxas de transação ou tempos de processamento lentos.
Essa inovação não só proporciona aos microempreendedores acesso imediato aos recursos de que precisam para gerenciar o fluxo de caixa ou investir no crescimento, como também demonstra como o PIX pode apoiar soluções financeiras escaláveis e centradas no cliente.
Finanças abertas: redefinindo o controle de dados e a concorrência
A regulamentação do Open Finance também tem sido um elemento fundamental da transformação financeira do Brasil, dando aos consumidores o controle sobre seus dados financeiros e permitindo que os compartilhem com segurança com terceiros. Essa regulamentação abre novas possibilidades para os indivíduos, rompendo com a tradicional dependência de um pequeno número de grandes bancos.
Para as empresas, o open finance também representa uma mudança significativa. Ele abre espaço para que as fintechs concorram diretamente com os bancos, oferecendo produtos personalizados e baseados em dados que atendem às necessidades específicas dos clientes. Empresas como Belvo, parceira da Taktile, estão usando essa estrutura para melhorar as avaliações de risco, tornando o crédito mais acessível e ampliando a inclusão financeira para grupos carentes.
Essa abordagem promove um sistema financeiro mais saudável ao aumentar a concorrência, reduzir custos e incentivar novos modelos de negócios de fintech. Juntamente com o PIX, ela demonstrou como uma regulamentação bem pensada pode criar um ecossistema financeiro que funcione melhor para todos.
As 50 principais empresas brasileiras de fintech inovadoras a serem observadas
Nos últimos anos, as mudanças regulatórias e tecnológicas no Brasil geraram uma onda de inovação, criando o ambiente ideal para o florescimento do setor de fintech.
Para destacar os mais recentes modelos de negócios de fintech com visão de futuro, compilamos uma lista das 50 principais empresas disruptivas que utilizam o marco regulatório e a infraestrutura tecnológica em evolução do Brasil para impulsionar a inovação em pagamentos, crédito e muito mais.
Nossos critérios de seleção têm como foco destacar empresas ágeis e emergentes: empresas fundadas após 2016, com menos de 250 funcionários e que tenham levantado, no máximo, US$ 80 milhões em financiamento. Também excluímos subsidiárias de grandes corporações e quaisquer fintechs que tenham sido adquiridas. O resultado é uma lista que destaca os inovadores independentes que estão moldando o futuro do ecossistema de fintech do Brasil.
Resolvendo desafios reais com a agilidade proporcionada pela PIX e a inovação baseada em dados
Alguns destaques do Top 50 da Taktile são:
- Robbin: Redefinindo os pagamentos B2B com soluções mais inteligentes
A Robbin simplifica os pagamentos B2B com melhores condições, limites de crédito mais altos e programas de fidelidade para revendedores, ao mesmo tempo em que aumenta as vendas e as margens para as marcas. Ela utiliza insights baseados em dados para oferecer soluções personalizadas e criar uma experiência integrada, semelhante à do consumidor. - Facio: Capacitando trabalhadores com soluções financeiras justas
A Facio oferece microcrédito acessível por meio de um produto de “adiantamento salarial”, substituindo altas taxas de juros por uma taxa simples. Ao utilizar tecnologia alternativa e métodos de pesquisa avançados, ela consegue realizar avaliações de risco mais precisas para trabalhadores carentes do que os prestadores de serviços tradicionais. - Credix: Promovendo crédito flexível com análise de dados de ponta
A Credix, cliente da Taktile, está transformando o financiamento B2B com uma solução BNPL (Compre Agora, Pague Depois). Ao combinar aprendizado de máquina proprietário com dados alternativos, ela conecta de forma integrada comerciantes, compradores e provedores de capital para oferecer produtos de crédito flexíveis. - SuperSim: Promovendo a inclusão financeira por meio do microcrédito
A SuperSim oferece microcrédito e empréstimos pessoais online para melhorar a inclusão financeira dos trabalhadores brasileiros. Utilizando o PIX para pagamentos instantâneos e métodos alternativos de avaliação de crédito, ela oferece aos consumidores (mesmo aqueles com histórico de crédito tradicionalmente negativo) uma variedade de opções de crédito com e sem garantia. - Nagro: Modernizando o crédito agrícola para produtores rurais
A Nagro oferece soluções de crédito digitais sob medida para produtores rurais, fornecendo até R$ 750.000 em financiamento com condições de pagamento flexíveis. Utilizando uma plataforma 100% online, a Nagro simplifica o processo de empréstimo, eliminando os tradicionais obstáculos burocráticos e possibilitando o acesso rápido a recursos para empresários rurais. - Stark Bank: Promovendo agilidade financeira para empresas em crescimento
O Stark Bank oferece soluções de banco corporativo sob medida para startups e empresas de alto crescimento no Brasil. Ao utilizar o PIX para pagamentos e recebimentos instantâneos, juntamente com dados de transações em tempo real para ajustar limites de crédito, ele capacita as empresas a gerenciar suas finanças com maior flexibilidade e eficiência.
O caminho à frente: o potencial ilimitado do Brasil
O ecossistema de fintech do Brasil tem feito avanços notáveis, mas seu potencial total ainda está se revelando. À medida que o mercado amadurece, novas oportunidades continuam a surgir, apoiando-se em uma regulamentação visionária e na inovação tecnológica.
Uma área significativa de crescimento é a expansão do crédito. As fintechs estão alcançando segmentos carentes com soluções personalizadas, como microcrédito, financiamento de veículos e financiamento de folha de pagamento — preenchendo lacunas que as instituições financeiras tradicionais há muito tempo negligenciam. Essas ofertas especializadas estão abrindo caminho para uma maior inclusão financeira e empoderamento econômico.
Outro avanço importante é a crescente acessibilidade dos Fundos de Investimento em Direitos de Crédito (FIDCs). Graças à norma CVM 175, esses fundos estão agora abertos a investidores não qualificados, proporcionando às fintechs novas fontes de capital.
"A CloudWalk, por exemplo, levantou recentemente US$ 450 milhões por meio de um veículo de recebíveis apoiado por grandes bancos, ilustrando a escalabilidade e a confiança que essas estruturas trazem ao ecossistema financeiro. O mercado para esses veículos cresceu significativamente, atingindo US$ 93,5 bilhões em 2024, com uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) superior a 15% nos últimos cinco anos", afirma Gabriel Rosenthal Gil, associado do Valor Capital Group.
Ao mesmo tempo, o surgimento do Fintech as a Service (FaaS) está ampliando os limites dos serviços financeiros. Com o apoio de infraestruturas B2B consolidadas, como o Banking-as-a-Service (BaaS), empresas de fora do setor financeiro estão lançando seus próprios produtos de fintech. Setores como o varejo estão adotando essa tendência para criar novas fontes de receita, aumentar a fidelidade dos clientes e manter a competitividade, tornando ainda mais difusa a fronteira entre serviços financeiros e não financeiros.
"Como apoiadores de longa data dos líderes em fintech nas áreas de pagamentos, empréstimos setoriais (agricultura, financiamento comercial, energia solar, educação) e infraestrutura, continuamos entusiasmados com o potencial do setor", explica Gabriel. Ele continua: “tendências emergentes — incluindo novos casos de uso que aproveitam a infraestrutura do PIX, mercados de capitais e infraestrutura de crédito de última geração (exemplificados pela Kanastra, empresa do portfólio da Valor), inovações em empréstimos para pequenas e médias empresas e finanças integradas, além de soluções de software verticais voltadas para setores pouco explorados — estão impulsionando uma profunda transformação no panorama financeiro.”
A história da fintech no Brasil é marcada por oportunidades ilimitadas, e o próximo capítulo promete ser ainda mais empolgante.