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Quatro conclusões sobre as ameaças emergentes de fraude e golpes no banking e no crédito para pequenas empresas

Ponto de vista, Crédito06 de fev. de 2025

As pequenas e médias empresas (PMEs) costumam ser consideradas a espinha dorsal da economia americana. Embora as definições do que constitui uma PME variem, o Pew Research Center estima que 99,9% das empresas dos EUA podem ser consideradas PMEs. Embora muitas dessas 33 milhões de pequenas empresas sejam “solopreneurs” (ou empresas individuais), por não terem funcionários remunerados, as cerca de 6 milhões de PMEs com funcionários respondem, juntas, por quase metade (46%) do emprego no setor privado dos EUA.

As PMEs, assim como os consumidores, são alvos frequentes de fraudes e golpes. De fato, o risco para as PMEs, e, por extensão, para seus provedores de serviços financeiros, é possivelmente maior, já que o valor em dólares em risco pode ser bem mais alto e as PMEs não contam com as mesmas proteções legais e regulatórias que os consumidores.

Nossa sessão recente do Expert Talks, disponível sob demanda, explorou as ameaças emergentes de fraude e golpes no banking e no crédito para PMEs, com insights e comentários de especialistas e profissionais do setor:

1. Pessoa física vs. pessoa jurídica e os riscos variados entre os segmentos de PMEs

Embora seja comum agrupar dezenas de milhões de empresas sob o rótulo de PME, isso achata a ampla variação dentro desse universo e os diferentes tipos de ameaças que elas podem enfrentar. As empresas, por serem frequentemente vistas como mais sofisticadas que os consumidores, contam com bem menos proteções legais e regulatórias. Por exemplo, leis como o Truth in Lending Act, o Fair Credit Reporting Act, o Gramm-Leach-Bliley Act e o Electronic Funds Transfer Act se aplicam apenas a consumidores, e não a empresas. As PMEs, que podem assumir formas jurídicas como sociedade de responsabilidade limitada (LLC), parceria ou corporação, como uma S corp ou C corp, não têm essas proteções, mesmo quando seu porte, escopo e sofisticação se parecem mais com os de consumidores.

Como os participantes do painel comentaram, os padrões de fraude das empresas muito pequenas tendem a espelhar a fraude contra consumidores, incluindo a vulnerabilidade a táticas de engenharia social. As PMEs menores também têm mais chances de não ter controles comuns em empresas maiores, como a dupla assinatura e funções como controller ou auditoria interna, o que potencialmente as torna mais vulneráveis.

Uma diferença marcante em relação aos atributos e ao comportamento dos consumidores é o ritmo relativamente acelerado de abertura de novas empresas: em 2023, cerca de 5,5 milhões de novas empresas foram abertas. E uma das primeiras tarefas mais comuns de uma empresa recém-aberta? Abrir uma conta bancária. No entanto, a relativa falta de dados disponíveis sobre empresas recém-abertas pode tornar o onboarding mais difícil.

2. Tipos de fraudes e golpes emergentes

É um fato conhecido que combater fraudes e golpes é como jogar “whack-a-mole”. Os fraudadores testam constantemente os sistemas dos provedores financeiros e de outros em busca de falhas e, uma vez encontradas, as exploram sem piedade até que os ataques sejam descobertos e a brecha seja corrigida.

No universo das PMEs, segundo os participantes do painel, a tomada de contas e a fraude em transferências eletrônicas continuam sendo ameaças frequentes, muitas vezes voltadas a empresas que fazem transações de maior valor. Os golpes de intermediário, em que os fraudadores interceptam as comunicações de uma transação legítima, também têm crescido. Nesses cenários, o intermediário costuma se passar por uma das partes ou por um prestador de serviços da transação, fazendo com que os pagamentos sejam redirecionados para a própria conta dele, e não para o destino pretendido.

A fraude com empresas de fachada semelhantes e com empresas sintéticas também tem crescido e foi especialmente popular durante a pandemia de COVID-19, com programas governamentais de auxílio, como o Paycheck Protection Program (PPP), oferecendo alvos lucrativos aos fraudadores. Também há uma preocupação crescente com a fraude de “bust out”, em que entidades dedicam tempo a construir uma pegada com aparência legítima para solicitar crédito e depois desaparecer com os recursos. As ferramentas e plataformas digitais tornaram o registro de uma empresa cada vez mais rápido, fácil e relativamente barato, permitindo que os fraudadores criem novas entidades rapidamente para esses esquemas. Por fim, o crescimento das criptomoedas contribuiu para o aumento de esquemas de engenharia social como o “pig butchering”, ataques de ransomware e outros tipos de fraudes e golpes que se aproveitam das lacunas nos controles de cripto.

3. Como as parcerias entre bancos e fintechs devem encarar os riscos de fraude e golpes

As parcerias entre bancos e fintechs impulsionaram uma nova geração de produtos inovadores de banking e crédito, mas esses modelos operacionais também aumentam a complexidade de identificar e mitigar os riscos de fraude e golpes, explicaram os participantes do painel. Os bancos que mantêm relações de parceria, às vezes chamadas de banking as a service (BaaS), precisam tratar o BaaS como um negócio central, e não como um “experimento” ou um teste, e fazer os investimentos necessários para operar essas unidades de negócio de forma segura e sólida.

A estrutura de gestão de risco e compliance, com as respectivas políticas, procedimentos, sistemas e equipes, tende a ser bem diferente em um modelo operacional de parceria entre banco e fintech do que em um banco tradicional que atende diretamente clientes PMEs. As fintechs que atendem o cliente final precisam integrar seus processos e operações de compliance aos de seus bancos parceiros. Talvez o mais importante: bancos e fintechs parceiras precisam entender os objetivos uns dos outros e chegar a um alinhamento na hora de equilibrar crescimento com práticas seguras de onboarding e de concessão de crédito. Cada vez mais, a percepção entre fintechs e bancos parceiros é de que o compliance, quando bem feito e com os recursos adequados, pode ser uma vantagem competitiva.

4. O papel da IA em fraudes e golpes contra PMEs

Quando o assunto é risco no universo das PMEs, a inteligência artificial é ao mesmo tempo um aliado e uma ameaça. Nas mãos de fraudadores, as ferramentas de IA generativa, capazes de criar rapidamente imagens e documentos de aparência realista em escala, podem turbinar as táticas de fraude e golpes. Dadas as lacunas nos dados facilmente disponíveis sobre pequenas empresas, não é incomum que bancos e fintechs que as atendem ainda dependam de documentos enviados manualmente, como atos constitutivos, extratos bancários, informações sobre beneficiários finais e similares. Mas as ferramentas de IA generativa tornaram muito mais fácil e barato criar documentos falsos de aparência autêntica, aumentando o risco para as instituições que ainda dependem da revisão manual de documentos.

Por outro lado, a IA está sendo rapidamente adotada para apoiar os processos de onboarding e due diligence de clientes PMEs. Nossos participantes explicaram como a IA pode ser usada para analisar grandes conjuntos de dados, inclusive dados não estruturados, como texto, para identificar padrões que exigiriam um esforço manual considerável para serem reconhecidos. As ferramentas de IA também podem ser usadas para reagir aos fraudadores que usam documentos falsos, detectando registros gerados sinteticamente, incluindo identidades e faturas falsas.

A colaboração é essencial para ficar à frente dos fraudadores

O cenário de fraudes e golpes contra as PMEs e as instituições financeiras que as atendem é complexo e evolui rapidamente. Na hora de agir com rapidez, em muitos aspectos os fraudadores levam vantagem, pois não enfrentam as mesmas restrições legais, regulatórias e organizacionais que as empresas legítimas. Isso fica muito claro no campo da IA, em que fraudadores e golpistas estão usando rapidamente ferramentas de IA para aprimorar e escalar suas ações, embora o setor continue reagindo por meio do desenvolvimento e da adoção responsáveis de suas próprias stacks e capacidades de IA.

À medida que os modelos operacionais de banking e crédito para pequenas empresas se tornam cada vez mais complexos, a colaboração entre instituições financeiras, fintechs e provedores de dados é, e continuará sendo, essencial para ficar à frente dos fraudadores e proteger as pequenas empresas de danos financeiros.

Perguntas frequentes

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